Até Já

Fechado para Jantar / Balanço
Voltamos dentro de momentos...

19.04.08 - 15.34h: Ego Sincronicidade


Os planos furados são sempre os melhores. Supostamente eram os GNR com a banda da GNR e ficámos a jantar caril de legumes com a belisa na "nossa" casa. A necessidade de uma ordem criada pela nossa consciência - as palavras para que as entendamos como o filme desta tarde (bee season) - o mercado antes discográfico, agora musical, os irmãos "ovelhas negras", agora os mais sensatos a dar conselhos porque já criaram a sua independência de espírito porque as cabeçadas da vida lhe deram a sua prática, os amigos por essa mesma razão de afinidade.

Sempre a somar, quase em contagem decrescente na regie depois de algum bourbon de tenessee williams e beedees, levam-nos sob o temporal às rotundas de queluz (enquanto o inconsciente desliga, centrar o plan du jour, previver, passo a passo - técnica de concentração positiva, de mudança) - e as voltas de estômago depois de snooker com moldavos levam o libelinha mais cedo para a cama após vómito e a um passeio nocturno na aberta que se gerou (de propósito ou fui eu que a causei?) até à amadora.

Já agora: uma conta de net a quadruplicar leva-me a pensar a continuidade de tudo isto, o meu estilo de escrita e a discriminação deste extracto (a questionar).

Quero levar um pouco de mim, quero conhecer as vossas caras, quero-vos... muito!

17.04.08 - 13.42h: Get a HairCut and Get a Real Job

Estou no cabeleireiro da estação do oriente. Uma guitarra toca o cielito lindo e afins flamencos, e o rapaz de óculos, todo de preto, escova suavemente a cabeça de um senhor com mechas brancas. A cortar estive eu, bobines intermináveis e rasgar selos do IGAC, ensacar dossiers e à tarde, todos a carregar sacos para a recolha. Ontem um mail - actualizações de alguns anos, a mágoa das cidades distantes, o amor único.
Estas viagens de comboio matinais trazem-me de regresso a lisboa, ao verdadeiro sentido urbano que tive nove anos, esta lufa-lufa de multidões aos magotes, cuspidos à hora de ponta e ao almoço. O cimento, a chuva e a ausência de cor, o moderno, o estilo e o brilho, a velocidade e o bate-papo de circunstância em banais momentos de convívio.

Entar pelo lado dos homens e não das senhoras (como eu fiz!) e aguardar enquanto escrevo no bloco. A clau não sabe do bisnog, ele não atende (estou preocupado!), a mãe informa que chegou o aviso de recepção da câmara de loulé, a rita confirma os valores a pagar antes de sair da inde; à noite bissa e lols para um programa qualquer.
A destruição está quase a terminar e pedem-me para catalogar o novo (e curto) arquivo. Que necessidade têm os chefes de destratar subalternos? A afirmação de poder? Palhaços (sem ofensa para os próprios - hoje, a meio da manhã sobre a redução de custos). O problema é que até aqui se passa o mesmo: os tios campónios do rapaz aparecem par cumprimentar e ele tem de ouvir as bocas irónicas da gaja da caixa.
Enfim, a nossa animalidade e estupidez sai pela boca sem controlo.

Post Scriptum: No final do dia, leilão entre funcionários e mini-rave. Deram-me alguns singles e colectâneas, como este:


Hot Chip - Ready for the Floor

17.04.08 - 00.28 / 00.57h: Keep Moving On



Puxadinhos estes dias... E como à noite queremos estar com as "pissoas", chegamos tarde e cansados - a sala de 900m2 está quase evacuada e o espaço de 300m2 já está a funcionar. Lembrar que a doca dos olivais foi reabilitada há dez anos dá que pensar, ao admirar toda a arquitectura funcional a toda a volta, limitada no horizonte pela linha da ponte. Ontem jantar com monka, só nós, conversa de vida e dv'djaying no braço de prata (cohen, goldfrapp e bowie); boleia de libelinha com careless whispper aos berros no regresso. Hoje copo de espera no british do cais do sodré e jantar de birthday da minerva (de calças de ganga) com rebecca e zé gato, que gentilmente me levou a casa para dormirem juntos (ou não!).



É tão fácil morrer... ou deixar morrer... ou não conseguir viver (nunca) como se quer. É difícil vivermos só (só?) com o que temos, porque não valorizamos, não re-utilizamos, consumimos sem pensarmos, no que fazemos ou noutras funções a dar (ao que fazemos), noutras possibilidades, todas as possibilidades. Basta pensar nelas... ou querer... e sonhar... ("abra a sua mente - canal infinito"). Muitas famílias desconjunturadas onde a higiene mental se compara à física, onde os afectos morrem porque não foram aprendidos - desenvolvidos, tal como as formas de comunicação, reproduzem-se - e a intervenção muitas vezes não ajuda. O mundo estica e encolhe no modo como o sentimos, neste palpitar de situações que passam dentro e por nós.

Apanhei sol, apanhei chuva. Voltei a ver o bruno e espantei-me com o que descobri, todos quem descobri, depois de o conhecer. Afinal estamos todos aqui! E o sporting ganhou 5-3 ao benfica! (o que quer que isto signifique!)

14.04.08 - 00.01 / 00.14h: Ao Pai

Quarto filho de um proprietário de terrenos e gado de salvaterra do extremo; depois da primária vai para o seminário de alcains por oito anos. Segue para os quatro anos de teologia dentro do castelo de marvão. No último ano, um conflito com o professor de história (por uma visita de raparigas) leva-o para o algarve a mando do bispo de castelo branco e portalegre, futuro bispo do porto. Chega a faro onde entra como aluno, depois professor. É ordenado em dezembro e às quintas (que não há aulas) e domingos vai para a serra do caldeirão numa localidade chamada ameixial - Começou a paixão! Depois, pelo espírito missionário, fica encarregue do "herege" concelho de alcoutim. Sem condições, inicia um trabalho pioneiro: do renascimento religioso à criação do ensino para além do obrigatório (o actual 2º ciclo), que abre portas aos filhos de uma região pobre e analfabeta.


Continuação, dez anos depois, cinco do seu falecimento...


Escreveu ao papa para pedir a saída da igreja porque se tinha apaixonado pela filha da senhora que limpava a casa e tratava da roupa e queria casar; comprou a casa rosa para criar a sua escola no piso térreo onde leccionou até à reforma, cuidou da sogra na sua incapacidade como se da sua mãe se tratasse, continuou a ir à missa onde comungava pela sua própria mão e acolhia todos os sacerdotes que ali chegavam; corria e participava nos comícios pós-revolução como fazia antes com casamentos e baptizados por todas as comunidades onde passava, acrescentou ao prédio o espaço para uma cantina, realizava o transporte escolar com a sua mercedes e ia à vacaria buscar o leite para os meninos lancharem; deixou a sua biblioteca e registo fotográfico (a conservar) como prova da sua avidez de conhecimento para chegar a Deus - Amor.


(dele herdei uma covinha no queixo, o silêncio e a contemplação, a pacata impulsividade e sociabilidade, o gosto pelo cuidar das coisas, a tudo perdoar)

13.04.08 - 21.30h: Nada se Repete

Os últimos dois dias da semana foram passados como uma reencarnação de shiva com mãos de tesoura, cortando fitas magnéticas e cd's, a carregar e arrumar dossiers, economato de papelaria e águas ( a vicky ajuda nas mudanças da jania); material de promoções, caixotes, prateleiras e escadotes, sacos pretos de resíduos separados para a parque expo. Recusar jantar com monka por cansaço (mãos, pés, ombros, costas) mas sair com dingling e libelinha: trajecto do século, da rosa, dos mouros, da atalaia. Mahjong, mexe e purex. Gente.



Seguir cedo/tarde para sul. Classe no ouvir 106.2 e aulas diferentes de jarvis cocker (live bed show e dingling no ouvido e os ruis da minha vida). Vir jantar com fados - toya, ondina e flora - e a fina flor da vila e as minhas gémeas (desenvolvimentos administrativos e jurídicos sucedem-se). Frio na rua. Dormir na cama de ferro, café no sr. mário e na zambujeira, regresso a casa por almodôvar - os três elementos humanos da família reunem-se para celebrar aniversário do pai ausente, tratar de papéis urgentes, recarregar (algumas) baterias, lavar a roupa suja (ouvir o marcelo defender o programa da fernanda câncio sobre bairros clandestinos na rtp)... Viver...

Correntes