No centésimo post decido fechar esta página. São muitas mudanças que tenho de efectuar. Já estou com saudades, mas são necessárias para a minha sobrevivência. Compreendam! Muito obrigado a todos os que aqui conheci e acompanhei - me conhecereram e acompanharam; foram um suporte importante e ajudaram a entender-me um pouco melhor. Fiz descobertas de amizade, carinho, humor, solidariedade que me alteraram a visão (apesar da miopia) do mundo que temos; e de raiva, esperança e paz. É com elas que fico e vou estar. Agradeço tudo o que partilharam (eu volto, prometo! - só não sei quando!) ao longo destas 11 semanas. A todas as humidades que se ausentam temporariamente da minha vida!
(Fico c/sem este blog mas s/com todos vocês! - beijos e abraços)
Um grande bem haja!
JJ
17.05.08 - 16.17h: Lisboa, Moça e Menino II
(Ontem, com a moca sem cedilha, ainda desimpedi o corredor e organizei a despensa – tenho de pintá-la)

Compro pão à pressa (09.30) para tirar o carro do sítio mas vejo que está bem e fica lá até ao almoço (milho e ovo cozido, queijo fresco e cebola – branco e amarelo como a cozinha!), depois do banho; banco e café. De classe f.m e programa no bolso, vamos ao encontro em sítio do costume, sob os jacarandás, seguimos o rato pela estrela até aos frigoríficos de alcântara. Como merchandising temos bonecas estilizadas japonesas, descemos ao bar na cave mas não ficamos. Encontro surpresa no CCB com ding ling a corrigir meninos, debate educacional, pallmall s.f e mortalhas com mandril; meia de leite, pastéis de belém e descubrimos que a revista sobre design influente é toda em italiano. Ultrapassa-nos à saída do passadiço inferior um bando de psp’s em jogging e calção de licra. Seventies a rockar – deixo a ana e o frank não me pode receber pois tem a sala cheia na alfândega.
Lembrança do aladan, vou ao bacalhoeiro ( já não sabia porque gostava tanto deste sítio): lomos na parede, jovens ligados à sua própria rede navegam em harmonia sóbria num reggae com balanço feliz – soa o tema do windows a iniciar/encerrar... Agora beastie boys: levam-me para o salão de festas para poder fumar (19.30), está uma rapariga a dormir nos sofás do canto; abro a janela lentamente e enquanto escrevo, ela acorda, travamos um breve diálogo e começa a limpar a arca de madeira que serve de apoio. Bossa nova, anoitece. Ontem trouxe-me aqui para ver e recordar alfama, onde cursei e me perdi seis anos. Relva fresca, ar puro, avanço. Turistas enchem as praças, pedem direcções, a polícia impede a passagem no jardim do tabaco e após chafariz d’el rey, preparam a prova LisbonDownTown. Largo de são miguel, subo até ao adicence para café, vejo os maus tratos a idosos, mas não o senhor manel e a dona amália. Saio a assobiar, já quase na penumbra, por entre o jogo de futebol de bairro dos miúdos, sob a parreira.
O eléctrico faz-me uma rasia, as luzes da ponte no fio da paisagem, engarrafa-congestiona-mento aos restauradores – Liberdade! A loli não vai sair e nós repetimo-nos; subterrâneo em espera, coleguices na bica, congratulo as duas mães dos bares da frente, percorro o interior das vidas em casas fechadas, fiéis ao bairro com shots de fruta, gereberas vermelhas para todos (bascos e galego), até ao taxi com atalho de foxtrot, pausa suave, o ex-do-ex-de mikonos veio ver-nos e, acidentalmente, esbarramos um no outro, não nos largamos até à manhã seguinte – almas puras – finex, politécnica, front sit... Da casa de banho, o centro desportivo da mouraria (existe!) e do quarto o torreão de baixo na primeira imagem da primeira parte deste post: adar, adar, pões-me a navegar, e eu que ganhei medo no mar...

Compro pão à pressa (09.30) para tirar o carro do sítio mas vejo que está bem e fica lá até ao almoço (milho e ovo cozido, queijo fresco e cebola – branco e amarelo como a cozinha!), depois do banho; banco e café. De classe f.m e programa no bolso, vamos ao encontro em sítio do costume, sob os jacarandás, seguimos o rato pela estrela até aos frigoríficos de alcântara. Como merchandising temos bonecas estilizadas japonesas, descemos ao bar na cave mas não ficamos. Encontro surpresa no CCB com ding ling a corrigir meninos, debate educacional, pallmall s.f e mortalhas com mandril; meia de leite, pastéis de belém e descubrimos que a revista sobre design influente é toda em italiano. Ultrapassa-nos à saída do passadiço inferior um bando de psp’s em jogging e calção de licra. Seventies a rockar – deixo a ana e o frank não me pode receber pois tem a sala cheia na alfândega.
Lembrança do aladan, vou ao bacalhoeiro ( já não sabia porque gostava tanto deste sítio): lomos na parede, jovens ligados à sua própria rede navegam em harmonia sóbria num reggae com balanço feliz – soa o tema do windows a iniciar/encerrar... Agora beastie boys: levam-me para o salão de festas para poder fumar (19.30), está uma rapariga a dormir nos sofás do canto; abro a janela lentamente e enquanto escrevo, ela acorda, travamos um breve diálogo e começa a limpar a arca de madeira que serve de apoio. Bossa nova, anoitece. Ontem trouxe-me aqui para ver e recordar alfama, onde cursei e me perdi seis anos. Relva fresca, ar puro, avanço. Turistas enchem as praças, pedem direcções, a polícia impede a passagem no jardim do tabaco e após chafariz d’el rey, preparam a prova LisbonDownTown. Largo de são miguel, subo até ao adicence para café, vejo os maus tratos a idosos, mas não o senhor manel e a dona amália. Saio a assobiar, já quase na penumbra, por entre o jogo de futebol de bairro dos miúdos, sob a parreira.
O eléctrico faz-me uma rasia, as luzes da ponte no fio da paisagem, engarrafa-congestiona-mento aos restauradores – Liberdade! A loli não vai sair e nós repetimo-nos; subterrâneo em espera, coleguices na bica, congratulo as duas mães dos bares da frente, percorro o interior das vidas em casas fechadas, fiéis ao bairro com shots de fruta, gereberas vermelhas para todos (bascos e galego), até ao taxi com atalho de foxtrot, pausa suave, o ex-do-ex-de mikonos veio ver-nos e, acidentalmente, esbarramos um no outro, não nos largamos até à manhã seguinte – almas puras – finex, politécnica, front sit... Da casa de banho, o centro desportivo da mouraria (existe!) e do quarto o torreão de baixo na primeira imagem da primeira parte deste post: adar, adar, pões-me a navegar, e eu que ganhei medo no mar...
Café e Cigarros
16.05.08 - 13.12h: Lisboa, Menina e Moço I

Ilustração de Marcos Oliveira
Ontem foi folga da ana. Em mais um dia estremunhado, vou buscá-la na sua calçada depois de muitos transportes matinais para vermos bonecos (eu já explico). Spinning around inicial: avenida do almirante, londres e roma, virando na monumental estátua do padroeiro, infiltrando-nos nos bairros do estado novo. Sob o guarda-chuva da missão – presidência portuguesa do conselho da união europeia – de cabo cor-de-laranja e logotipo pago, lanchamos na tatu da aldeia, falamos da propensão humana para a empatia, passeamo-nos nas entre-ruelas, aguardando a pipa. Mais gatos, vemos abordagens estúpidas em séries juvenis e os avanços da vida. Já tetra-hidra-canabinados, circulamos inversamente até à alameda do fundador deste país: um miradouro inesperado sobre a fonte luminosa desperta-nos pela luz mortiça e aguaceiro miudinho com vista para o técnico. Descemos a escadaria, e uma atracção da infância leva-nos à descoberta de um playground para crescidos – oferecemo-nos alegria, memória e movimento, às voltas com o nosso corpo, suspensos no tempo. Jantamos debaixo do império e seguimos para o Maria Matos.
Queríamos o programa do júri – os melhores do animateka – no king, mas o prazer leva-nos à competição 03: a surpresa inicial de uma obra gráfica a preto e branco, de sequências sugestivas de sons sobre o coração da cidade e a sua sombra – becos e escadinhas levam o Homem por tascas sujas de fado, os carris acalcetados do eléctrico e o ruído dos cabos, as noites perdidas terminam nas mecânicas tipográficas e ardinas com boas novas, silvos e travessa ondulante do tejo num cacilheiro matinal – pelo meio uma pequena parábola com lua viajante em sonhos de meninos. Segue: um conto zen em russo para apresentar a vizinha coreia - primeiro plasticina, depois ilustração de recorte – do medo engrandecido do não ter à dádiva do partilhar até à eternidade; dois episódios de terror cómico sobre os riscos do próprio monstro, alertando para o perigo da insónia em frente ao televisor; num estilo oliveirista, uma cadência calma, sugestiva, aquática e muito feminina... sensualidade apresentada pela própria autora presente no público; uma portuguesa brinca com a imagética da palavra no discurso visual; uma espiral de rituais quotidianos e objectos a girar num vazio-vácuo aceleram, caricaturizando o destino final em escalada de caos e violência; humor negro atingindo as crianças e uma visão da morte instantânea e arrebatadora; animação muito riscada e psicanalizada de uma vida curta; outra ainda que já não me recordo e termina com um conto de kafka pensado por japonês, novamente a trágica sur(-)realidade. Hoje, à continuacion, Museu do Oriente.

(a imaginação/tecnologia são coisas fantásticas; mas o cenário pode ser cada vez mais real...)
Afinal o Catatau Tem um Blog...

É a gozar, mas até é engraçado imaginá-lo atrás do écran a escrever posts daquela natureza... a abraçar-nos a todos!
Já editados os seus melhores comentários!

(falando em edições, quem tem duas páginas que parecem um blog é o sr. Paulo Teixeira Pinto, em análises lógicas e profundas com o toque certo de poesia própria, filosofias de poder e ditos alheios actuais; o artigo/post Dicionário de Português-Português sobre o 25 de Abril delata os exageros da liberdade e conclui com as nossas pequenezes - ainda bem que o meu irmão compra o DN ao sábado!)
15.05.08 - 07.13 / 07.52h: History Repeats ITself
(Aviso sobre Conteúdos, blá, blá, blá..., qualquer semelhança com a realidade... é pura ficção erótica!)
Miracles
Atalho por alvalade, estrada com troço de calçada, torrão; boleia a comum desempregado com ar de agarrado até alcácer em curvas no meio do nada. A lisboa, apenas para entregar acto isolado. Começam as rodadas de amigos por telefonemas. Esplanar na brasileira com ding ling (que tal o cd?), mário alto de trolley, libelinha agrilhoado troca perca de carta por serviço comunitário. E no quarenta e um forma-se o círculo com o ex-namorado de mão lixada, açores e suiça. À espera de psicoactivos, vemos a amy em concerto, aos beijos na sala vermelha – concretizam-se as coincidências anteriores - até nos fartarmos.
Ainda circuito de fuga ao álcool até aos subúrbios, regresso ao bairro para seguir décio de scooter até à travessa do meio do forte. Uma hora para abrir duas portas, mais o revistar da casa do celso (que não revejo à meia década) em busca de preservativos. Sexo bom e carinhoso, penetrar e beijar ao mesmo tempo, castelo e graça com vista da casa de banho, mártires da pátria do quarto e corredor. Dormir abraçado a alguém...
Memórias intermitentes, boleia rolante à chuva com mochila no meio, chocho atabalhoado e fugaz, já sem trânsito até casa.

Night Two
Mesmo bar, agora com carmo depois do jantar, com as justificações da demissão, de vento em popa no mondego e ria formosa. Mesmos personagens, acompanho-a ao golf. Volto para purificar-me até ao abandono total. Good Night, Irene (perder tempo é divertido! – só boas frases dos diálogos do filme na sua propaganda a negro) – vejo-a! Espalham-se freneticamente cartazes nas esquinas, na hora de saída. Viro no século, passo o trabalho do mano e peço para entrar no prédio verde. A laurie anderson chama-me (X=X), bebida, bloco e cinzeiro. Imagens sobrepostas de filmes antigos, projectadas no redor de paredes brancas; Jim morrison (the end) carrega os putos fashion do bar, o gainsbourg ama-os (i go and i come, you come and you go... skin to skin), zuvi-zeva-novi.
Automático até... (it's raining, man!) ao antro. Show sem débora crystal assistido na parceria de L que agora vive por ali, re-encontro mais gente do antigamente. Popers e joints alucinam a dança. Saio e caminho calmamente em passerelle até à rotunda central (no quarto piso subterrâneo fica o parque de viaturas rebocadas pela polícia). Enquanto amanhece vou escrevendo estes dizeres na esperança do metro para casa. Do lusco-fusco sai uma figura que se move por entre as barraquinhas da feira do livro; fecho o moleskino devagar e mamo o mulato devagar enquanto ele filma, faço-lhe um profundo botão e continuo até à sua ejaculação na minha cara. Compara-me com o tarantino e explica que a sua namorada ainda não aprendeu a fazer assim. Cumprimento dread, lavo o rosto no aspersor (que desperdícioperante o manto cinzento que nos cobre) e apanho o primeiro da manhã. Cool.
Miracles
Atalho por alvalade, estrada com troço de calçada, torrão; boleia a comum desempregado com ar de agarrado até alcácer em curvas no meio do nada. A lisboa, apenas para entregar acto isolado. Começam as rodadas de amigos por telefonemas. Esplanar na brasileira com ding ling (que tal o cd?), mário alto de trolley, libelinha agrilhoado troca perca de carta por serviço comunitário. E no quarenta e um forma-se o círculo com o ex-namorado de mão lixada, açores e suiça. À espera de psicoactivos, vemos a amy em concerto, aos beijos na sala vermelha – concretizam-se as coincidências anteriores - até nos fartarmos.
Ainda circuito de fuga ao álcool até aos subúrbios, regresso ao bairro para seguir décio de scooter até à travessa do meio do forte. Uma hora para abrir duas portas, mais o revistar da casa do celso (que não revejo à meia década) em busca de preservativos. Sexo bom e carinhoso, penetrar e beijar ao mesmo tempo, castelo e graça com vista da casa de banho, mártires da pátria do quarto e corredor. Dormir abraçado a alguém...
Memórias intermitentes, boleia rolante à chuva com mochila no meio, chocho atabalhoado e fugaz, já sem trânsito até casa.

Night Two
Mesmo bar, agora com carmo depois do jantar, com as justificações da demissão, de vento em popa no mondego e ria formosa. Mesmos personagens, acompanho-a ao golf. Volto para purificar-me até ao abandono total. Good Night, Irene (perder tempo é divertido! – só boas frases dos diálogos do filme na sua propaganda a negro) – vejo-a! Espalham-se freneticamente cartazes nas esquinas, na hora de saída. Viro no século, passo o trabalho do mano e peço para entrar no prédio verde. A laurie anderson chama-me (X=X), bebida, bloco e cinzeiro. Imagens sobrepostas de filmes antigos, projectadas no redor de paredes brancas; Jim morrison (the end) carrega os putos fashion do bar, o gainsbourg ama-os (i go and i come, you come and you go... skin to skin), zuvi-zeva-novi.
Automático até... (it's raining, man!) ao antro. Show sem débora crystal assistido na parceria de L que agora vive por ali, re-encontro mais gente do antigamente. Popers e joints alucinam a dança. Saio e caminho calmamente em passerelle até à rotunda central (no quarto piso subterrâneo fica o parque de viaturas rebocadas pela polícia). Enquanto amanhece vou escrevendo estes dizeres na esperança do metro para casa. Do lusco-fusco sai uma figura que se move por entre as barraquinhas da feira do livro; fecho o moleskino devagar e mamo o mulato devagar enquanto ele filma, faço-lhe um profundo botão e continuo até à sua ejaculação na minha cara. Compara-me com o tarantino e explica que a sua namorada ainda não aprendeu a fazer assim. Cumprimento dread, lavo o rosto no aspersor (que desperdícioperante o manto cinzento que nos cobre) e apanho o primeiro da manhã. Cool.
12.05.08 - 15.36h: Um tal de Júlio...
Myanmar, Fátima, Etna, Sichuan, o Rocío, o Diabo...
Inspirado por todos, o que também me passa, nestes dias de insatisfação intrínseca... (tradução livre do espanhol-argentino), em papel ou digital, whatever!

“Como não só escreve como também gosta de passar-se para o outro lado e ler o que escrevem os outros, Lucas por vezes surpreende-se com o difícil que lhe resulta entender algumas coisas. Não é que sejam questões particularmente abstrusas (palavra horrível, pensa Lucas que tende a pesá-las na palma da mão e a familiarizar-se ou a afastá-las consoante a cor, o perfume ou o tacto), mas de repente, há como que um vidro sujo entre ele e o que está a ler, de onde impaciência, releitura forçada, bronca à entrada e, no final, grande vôo da revista ou livro até à parede com subsequente queda e húmido plof.
Quando as leituras terminam assim, Lucas pergunta-se que diabo pôde ocorrer na aparentemente óbvia passagem do comunicante ao comunicado. Perguntar isso custa-lhe muito, porque no seu caso, jamais se põe essa questão e por mais rarefeito que esteja o ar da sua escrita, por mais que algumas coisas possam apenas vir e chegar no final de difíceis transcursos, Lucas nunca deixa de verificar se a vinda é válida e se a passagem se opera sem obstáculos de maior. Pouco lhe importa a situação individual dos leitores, porque crê numa medida misteriosamente multiforme que, na maioria dos casos, cai como um traje de bom corte, e por isso não é necessário ceder terreno nem na vinda nem na ida: entre ele e os outros dar-se-á uma ponte sempre que o escrito nasça de semente e não de enxerto. Nas suas mais delirantes intervenções, há, por sua vez, algo tão simples como o jogo do burro ou a bisca dos três. Não se trata de escrever para os outros senão para si mesmo, mas um mesmo tem que ser também os outros; tão elementar, meu caro Watson, que pela desconfiança, pergunta se não haverá uma demagogia inconsciente nessa corroboração entre remetente, mensagem e destinatário. Lucas olha na palma da sua mão a palavra destinatário, acaricia-lhe a pelagem e devolve-a ao seu limbo incerto; pouco lhe importa que destinatário tem, assim, no instante, escrevendo o que ele lê e lendo o que ele escreve, que se dane.”
Julio Cortázar – Un tal Lucas, 1979
(esta amostra de Terre d'Hermès deixou-me inebriado - só se fôr de vez em quando - ainda bem que as açucenas só florescem uma vez por ano, um cacho por pé...)
Inspirado por todos, o que também me passa, nestes dias de insatisfação intrínseca... (tradução livre do espanhol-argentino), em papel ou digital, whatever!

“Como não só escreve como também gosta de passar-se para o outro lado e ler o que escrevem os outros, Lucas por vezes surpreende-se com o difícil que lhe resulta entender algumas coisas. Não é que sejam questões particularmente abstrusas (palavra horrível, pensa Lucas que tende a pesá-las na palma da mão e a familiarizar-se ou a afastá-las consoante a cor, o perfume ou o tacto), mas de repente, há como que um vidro sujo entre ele e o que está a ler, de onde impaciência, releitura forçada, bronca à entrada e, no final, grande vôo da revista ou livro até à parede com subsequente queda e húmido plof.
Quando as leituras terminam assim, Lucas pergunta-se que diabo pôde ocorrer na aparentemente óbvia passagem do comunicante ao comunicado. Perguntar isso custa-lhe muito, porque no seu caso, jamais se põe essa questão e por mais rarefeito que esteja o ar da sua escrita, por mais que algumas coisas possam apenas vir e chegar no final de difíceis transcursos, Lucas nunca deixa de verificar se a vinda é válida e se a passagem se opera sem obstáculos de maior. Pouco lhe importa a situação individual dos leitores, porque crê numa medida misteriosamente multiforme que, na maioria dos casos, cai como um traje de bom corte, e por isso não é necessário ceder terreno nem na vinda nem na ida: entre ele e os outros dar-se-á uma ponte sempre que o escrito nasça de semente e não de enxerto. Nas suas mais delirantes intervenções, há, por sua vez, algo tão simples como o jogo do burro ou a bisca dos três. Não se trata de escrever para os outros senão para si mesmo, mas um mesmo tem que ser também os outros; tão elementar, meu caro Watson, que pela desconfiança, pergunta se não haverá uma demagogia inconsciente nessa corroboração entre remetente, mensagem e destinatário. Lucas olha na palma da sua mão a palavra destinatário, acaricia-lhe a pelagem e devolve-a ao seu limbo incerto; pouco lhe importa que destinatário tem, assim, no instante, escrevendo o que ele lê e lendo o que ele escreve, que se dane.”
Julio Cortázar – Un tal Lucas, 1979
(esta amostra de Terre d'Hermès deixou-me inebriado - só se fôr de vez em quando - ainda bem que as açucenas só florescem uma vez por ano, um cacho por pé...)
ID

Eu sou o passageiro, é a minha vida, único pertence que me leva para onde quero ir (mesmo que não saiba). Uma simples homenagem escrita pelas letras da sua matrícula, dez anos antes de o ter – escolhémo-nos há muito tempo atrás, Freud que o diga...
Impulso desejado
Inspiração duradoura
Intersecção direccionada
Inovação deontológica
Inerência democrática
Irrelevante desastre
Imortalidade dourada
Identidade delineada
09.05.08 - 16.43h: Atrás de Europa*
Estou parado.
O mecânico foi um querido e o bisnog também – veio visitar-me e seguimos para o bairro de táxi para buscar a bé. Uma birra ultrapassada pelo diálogo e compreensão. De volta ao pequeno mundo: travessa do jasmim, rua dos prazeres, andreia no largo de jesus, bissa e mike em assaltos virtuais, nuno na esquina dos armanzéns do chiado, M.O.em banca aos sábados na anchieta, com mano de metro. Passagem pelas comunidades...

O mecânico foi um querido e o bisnog também – veio visitar-me e seguimos para o bairro de táxi para buscar a bé. Uma birra ultrapassada pelo diálogo e compreensão. De volta ao pequeno mundo: travessa do jasmim, rua dos prazeres, andreia no largo de jesus, bissa e mike em assaltos virtuais, nuno na esquina dos armanzéns do chiado, M.O.em banca aos sábados na anchieta, com mano de metro. Passagem pelas comunidades...

Chove aqui.
Ontem desci de madrugada para colos, almoço no sr. Costa; hoje, última sessão antes das de avaliação em são teotónio (convidam-me para jantar de júri em grupo que acompanhei).
Ontem desci a odeceixe paramergulho rápido e sesta nu na areia. Comi e morri. Debato-me com a inspiração de free-lancer para artigo sobre a matemática em revista infantil. Almocei no clube grátis pelo M, saudações à cozinheira (minha formanda), o minivai buscar o seu actual ao expresso amanhã.
Agora faz sol.
Preciso de descansar. Saraivada em bragança, ruína das culturas (será que a seca já la vai?). Espero pelo visionamento da apresentação final na secundária. Não consegui entregar o currículo em mãos neste CNO.
* Sinto-me transformado (como o único zeus aqui) a correr pela vaca da minha vida! Será que a vou agarrar pelos cornos? –Tu também, carmo.
07.05.08 - 14.44h: RetroChic
Aceitando o desafio de pantufas, através deste site, foi o que me calhou... E eu que já sonho no recheio do velho ninho...
São ideias de (re)decoração! (em inglês, desculpem)
RETRO CHIC
You have a collector's eye for individual pieces that give your home a real sense of personality and style, that special je ne sais quoi. The overall look may be retro, but it's anything but kitsch; your innate understanding of what works together (not to mention the origin of each piece) embosses your home with an enduring elegance of its own which is neither overtly modern nor faux-period.
Living Room
Your outlook is shaped by a love of design from the recent past. The Europhile living room revels in style icons from the not-too-distant past. It's almost modern, but recreates a perfect mythical ideal of our parents' youth - of picket fences and bubblegum pop, ice-cream sodas and sleek classic cars with elegant tail fins. All of these details are useful design references for furnishing your living room: this is a look that is fun and optimistic, but also streamlined and knowingly nostalgic. Accessorising the room with a more classic look will certainly provide a counterpoint to more outre pieces of furniture, but beware of diluting the look too much or, indeed, over-egging it. Cool, vibrant colours make a living room feel fresh and airy, while glamorous prints and patterns are fun and stylish. Having worked wonders in the kitchen, you deserve a bit of quality time in the living room where you can relax and unwind.
Bedroom
It's a man's world in the master bedroom. Sleep is fundamentally important to our well being. In busy towns and cities, noise can often hamper a good night's sleep. Soft furnishings really do absorb sound, and touch is such an important sense in the bedroom, from crisp, linen sheets to wool or even sheepskin underfoot. You have quite a masculine - some might say hard - style in your bedroom, using earthy, rustic colours and textures to create a sense of harmony with the natural world.
Dining Room
You're a modern maverick, a supremely elegant entertainer. At home, you have a fresh, contemporary dining style that is versatile and achievable on almost any budget. Keeping the basics simple, try using colour or picking something a bit unusual to add character and to give the dining area some definition. Good design and quality materials can really lift a place setting. When it comes to entertaining, you like to pull out all the stops.
Home Office
You have a place for everything and everything has its place. No matter how independent you might be, like everybody else you'll have bills to pay. A dedicated home office will help you keep on top of the 'boring bits'. The modernist adage that form should follow function is nowhere better demonstrated than in the home office: keep things simple and add your own sense of style by using a splash of colour or a single, well-chosen decorative piece.
Conclusion
Your home is sharp and modern, but with a nostalgic nod to an idealised world in the not-too-distant past.
São ideias de (re)decoração! (em inglês, desculpem)
RETRO CHIC
You have a collector's eye for individual pieces that give your home a real sense of personality and style, that special je ne sais quoi. The overall look may be retro, but it's anything but kitsch; your innate understanding of what works together (not to mention the origin of each piece) embosses your home with an enduring elegance of its own which is neither overtly modern nor faux-period.
Living Room
Your outlook is shaped by a love of design from the recent past. The Europhile living room revels in style icons from the not-too-distant past. It's almost modern, but recreates a perfect mythical ideal of our parents' youth - of picket fences and bubblegum pop, ice-cream sodas and sleek classic cars with elegant tail fins. All of these details are useful design references for furnishing your living room: this is a look that is fun and optimistic, but also streamlined and knowingly nostalgic. Accessorising the room with a more classic look will certainly provide a counterpoint to more outre pieces of furniture, but beware of diluting the look too much or, indeed, over-egging it. Cool, vibrant colours make a living room feel fresh and airy, while glamorous prints and patterns are fun and stylish. Having worked wonders in the kitchen, you deserve a bit of quality time in the living room where you can relax and unwind.
Bedroom
It's a man's world in the master bedroom. Sleep is fundamentally important to our well being. In busy towns and cities, noise can often hamper a good night's sleep. Soft furnishings really do absorb sound, and touch is such an important sense in the bedroom, from crisp, linen sheets to wool or even sheepskin underfoot. You have quite a masculine - some might say hard - style in your bedroom, using earthy, rustic colours and textures to create a sense of harmony with the natural world.
Dining Room
You're a modern maverick, a supremely elegant entertainer. At home, you have a fresh, contemporary dining style that is versatile and achievable on almost any budget. Keeping the basics simple, try using colour or picking something a bit unusual to add character and to give the dining area some definition. Good design and quality materials can really lift a place setting. When it comes to entertaining, you like to pull out all the stops.
Home Office
You have a place for everything and everything has its place. No matter how independent you might be, like everybody else you'll have bills to pay. A dedicated home office will help you keep on top of the 'boring bits'. The modernist adage that form should follow function is nowhere better demonstrated than in the home office: keep things simple and add your own sense of style by using a splash of colour or a single, well-chosen decorative piece.
Conclusion
Your home is sharp and modern, but with a nostalgic nod to an idealised world in the not-too-distant past.
05.05.08 - 13.02h: 1, 2, 3, 4*

1.
Sob a humidade fervida e aconchegante do calor do sol, a terra desponta, desabrocha, desflora. Os bois (re)pastam(-se) no prado... Afluxo de gente para o equador, perco (ou ganho) uma hora em volta por coina por gasolina, mais duas paragens por café, jornal e água e corrida a castro por gasolina novamente.
Ontem a proposta da bissa, o passeio da vicki da lusófona à portugália por caña e galão, o filme dos quatro em jantar by monkas (totalmente), um bom hábito deste ano. A patética de tchaikovsky, colecta de jazz, bohemian like you, dandy wahrols, chill out by john lee hooker, janelas verdes – as portas abertas da multiculturalidade musical.
E contorno a rotunda do rosário. Atravessam a estrada de neves corvo atrás de pato, gente caminha nas bermas, os carros merendam debaixo da ponte em feriado, pássaros quase suicidas, igrejas isoladas.
Abraço duradouro, almoço sozinho e fazemos bolo enquanto falamos de estabilidade económica. “Vou viver quantos anos mais?” questiona-se a mãe; visita da guis-zottis com pai aniversariante também – café nos gagos con traduzione. A população gatil duplicou nas últimas semanas: a titi teve seis e a pretinha três. Durmo cedo depois do terceiro harry potter em espanhol.
Sob a humidade fervida e aconchegante do calor do sol, a terra desponta, desabrocha, desflora. Os bois (re)pastam(-se) no prado... Afluxo de gente para o equador, perco (ou ganho) uma hora em volta por coina por gasolina, mais duas paragens por café, jornal e água e corrida a castro por gasolina novamente.
Ontem a proposta da bissa, o passeio da vicki da lusófona à portugália por caña e galão, o filme dos quatro em jantar by monkas (totalmente), um bom hábito deste ano. A patética de tchaikovsky, colecta de jazz, bohemian like you, dandy wahrols, chill out by john lee hooker, janelas verdes – as portas abertas da multiculturalidade musical.
E contorno a rotunda do rosário. Atravessam a estrada de neves corvo atrás de pato, gente caminha nas bermas, os carros merendam debaixo da ponte em feriado, pássaros quase suicidas, igrejas isoladas.
Abraço duradouro, almoço sozinho e fazemos bolo enquanto falamos de estabilidade económica. “Vou viver quantos anos mais?” questiona-se a mãe; visita da guis-zottis com pai aniversariante também – café nos gagos con traduzione. A população gatil duplicou nas últimas semanas: a titi teve seis e a pretinha três. Durmo cedo depois do terceiro harry potter em espanhol.
2.
Amanheço também cedo para lavar o carro (já não vejo pelos pára-brisas), café no gonçalves com carmen. Agora sim, a natureza no seu esplendor! Atrás de transporte de camiões, vendo os bichos mortos, ultrapassar carroça de lenho puxada por burro e velhote, cão atravessa devagar na corte zorrinho, moiral correndo atrás de quatro vitelos desgarrados à entrada da aldeia dos fernandes.
Cópias pela rosa na inde, outra sessão com miúdos que pensam a cerveja como bebida dos “grandes” (e eles são!) e que conhecem os malefícios do tabaco – é tão bom pô-los a falar... Patraquim liga com presente e teatro; sabóia tem a maior taxa de suicídios da europa.
Assistência a parto porque alma está elaborando arqueologia para exposição, gémea no alto à minha espera (lavou, limpou e redecorou tudo,que linda!). A terapia do afecto e confiança feita por festas no pelo e ventre inchado de mamilos salientes em caminha de verga dos chineses, motivando, olhando, acarinhando a gata branca.
Afinal é hoje! Acelerar de volta para a capital para despedida de solteiro: jantar na mariquinhas, karaoke em la calle, dali camões, purex, lux (lolita saying boring!) e m-box (reencontro décio!) – tudo por pistas e charadas em fotografias. Até fechar! Pequeno almoço inconsciente com minerva. Juntos, todos, outra vez!
3.
Bebemos e fumamos demais! A pé, a casa da nora, acordar cristi (que vai a pina bauch), passear gira, english breakfast por jô com janet, sofá às dez. A resaquinha ao acordar sem planos, café no conde barão (e pedro e filhas), investida vitamínica com banhos, buscar carro esquecido e voltar para iniciar a segunda parte. Sempre brindes e surpresas!
A8 no auge do pôr do sol com três passageiros, encontro com os dois que faltavam à saída das portagens e seguimos a IP6 até à prainha escondida do lado direito da península do baleal (coincidimos!).
Iluminados por tochas em toalhas espalhadas na areia, jantamos frangos e bebemos minis, cantamos - continuam a chegar maravilhas...! Um céu óptimo! Disfrutamos e arrumamos tudo para bar ao lado, bruno’s beach de profunda electrónica e regresso desejado à irmã da lucas. Até de madrugada em jogos (brigadas e carregadores sagres) e danças à chuva, matrecos e música alucinógena (catita e oferta do noivo), cair na pista...
4.
Despertos na vivenda fresca por acidente despedaçante de chapa (tudo vai correr bem, bibona!), eficiente equipe de limpeza, os abraços e despedidas, as sandes vespertinas e o passeio costeiro pela baía de peniche, caldeirada na rua de trás, gaivotas espiam, a volta pelo forte e café (com dupla partida) sem não antes regressar ao local de sonho e fotografar outro ocaso com minerva.
Avaria na subida íngreme da IC16, sem saldo e quase sem bateria (e é só uma peça que se solta e faz disparar o conta-rotações...), fazem-me descer para pôr o triângulo e caminhar com o colete reflector até casa (ainda bem que ligaste, zé gato; desculpa cunhada! Obrigado mano!).
Já depois da meia-noite, acompanho o desesperado condutor do reboque até ao cacém e daí, o irmão a casa. Energias de rastos, aqui estou “a fazer pela vida” à vossa espera.

*... Tell me that You Love me More (dizem que me Amam Mais…) – afinal vou ver Feist, o casamento é só no fim-de-semana a seguir.
01.05.08 - 04.15h: Dia da Mãe
O primeiro dia de maio é o dia da mãe. Sempre foi. Hoje cumpre 60, teve-me aos 30. Foi uma miúda da aldeia a brincar com as pedras, o pai pastor ausente e a mãe, serva e orfã, que só conheceu a vida de trabalho doméstico e teve de criar seis filhos entre a ceifa, o pão, a lenha, a azeitona, o azeite. Cresceu em tempos de fome mas continuou estudos (e a cheirar o escape da carreira) no colégio de mértola e no magistério em faro. Voltou para a terra, tirou a carta (a primeira mulher do concelho), virou professora, perdeu os longos cabelos em corte à garçone, calçou botas altas, casou com o padre. Exigente e carinhosa, extremos de fúria e uma calma apaziguadora tornam-na deliciosamente bela (até os prazeres no nome).
Um orgulho - apesar do meu quebrar de afecto neste seio, melhorado pelo tempo. Amo-a pelo que gerou, pela forma de educar (claro que também me chateia às vezes – eu já me chateio menos), pelo sacrifício e pelas dores que tem e que toma. Fuma (começou aos vinte como eu e agora queremos parar). É uma viúva serena, isolada no seu palácio cor-de-rosa (“para quê ainda mais casa?”), a pintar, a restaurar mobília (a dança das divisões!), a alimentar os gatos e cultivar uma horta, com o sempre fiel sansão. Amo-a e é das grandes certezas o seu infinito e profundo amor por mim. Muitos Parabéns, Mãe, neste teu dia. No verão ofereço-lhe um lenço fúschia (é assim?).

Ah, também o é do trabalhador, dos sindicatos e outras convenções sociais. Tive dias plenos de mulheres (pretty womans!) que são assim: fazem-se!
Um orgulho - apesar do meu quebrar de afecto neste seio, melhorado pelo tempo. Amo-a pelo que gerou, pela forma de educar (claro que também me chateia às vezes – eu já me chateio menos), pelo sacrifício e pelas dores que tem e que toma. Fuma (começou aos vinte como eu e agora queremos parar). É uma viúva serena, isolada no seu palácio cor-de-rosa (“para quê ainda mais casa?”), a pintar, a restaurar mobília (a dança das divisões!), a alimentar os gatos e cultivar uma horta, com o sempre fiel sansão. Amo-a e é das grandes certezas o seu infinito e profundo amor por mim. Muitos Parabéns, Mãe, neste teu dia. No verão ofereço-lhe um lenço fúschia (é assim?).

Ah, também o é do trabalhador, dos sindicatos e outras convenções sociais. Tive dias plenos de mulheres (pretty womans!) que são assim: fazem-se!
29.04.08 - 21.26h: Trio d'Odemira 57/67
Do mundo secreto de peter gabriel, aos duetos nocturnos do frank sinatra, as ilustrações musicais de pintura pelo júlio pereira, os rock-blues ultra-românticos de roy orbison – esta é a actual banda sonora a k7 dos últimos vai-vens. A grande descoberta foram os mariachis alentejanos que cruzaram cancioneiro popular, tradicional alentejano, os hits latinos dos sessenta, rancheras mexicanas (puta coincidência), fado. Estive ano e meio aqui até ao desemprego e pé partido e já depois de sair estas gravações com cinquenta anos vêm parar-me aos ouvidos. E recordo amor, infância no banco de trás com a mãe a cantar as modas da altura, charradas puras...
Aqui vão os títulos: guantanamera; história de um amor; cartas de amor; el reloj; vocês sabem lá; perfídia; alma, coração e vida; ti ana majora; rio mira; ribeira mota; lembra-te ó ana; abalei do alentejo; camiñito; ruega por nosotros; una aventura mas; novo fado da severa; quiereme mucho; ciao amor; malagueña; sol nas minhas mãos; és a minha canção; as minhas mãos nas tuas; beija-me em sakurambô; a praia.

Aqui vão os títulos: guantanamera; história de um amor; cartas de amor; el reloj; vocês sabem lá; perfídia; alma, coração e vida; ti ana majora; rio mira; ribeira mota; lembra-te ó ana; abalei do alentejo; camiñito; ruega por nosotros; una aventura mas; novo fado da severa; quiereme mucho; ciao amor; malagueña; sol nas minhas mãos; és a minha canção; as minhas mãos nas tuas; beija-me em sakurambô; a praia.

O meu trio de odemira foi este triângulo da vida – as gémeas e eu! As refeições partilhadas (mais na casa do lado, a tratarem de mim), os relatórios diários entre a câmara e a fundação (mais esta última, éramos dois em avalanche), as guerras de poder eternas e a nossa exploração, sempre a fazê-las em paz, a preta nina e a branca frida, adormecer no sofá, conspirarmos os conspiradores, almoços na varanda, cafés nas esplanadas, os Amigos (carlo de aniversário recente, mini, ana, manel, zaida, isabel e quim e rebento). Três copos à espera de vinho.
Orientar sessões de sensibilização para prevenção de toxicodependências em colos e são teotónio – correram bem; viagens com boleia dada e tida, cumprimentos e afectos recebidos pelas paragens pela vila (vizinhas, os homens dos cafés, adultos em reconhecimento de competências, a juventude criativa da região), roseiras em flôr nas esquinas, fôfos de amores-perfeitos nos canteiros pós festança rija de abril, o rio continua a correr suave e luminoso.
Orientar sessões de sensibilização para prevenção de toxicodependências em colos e são teotónio – correram bem; viagens com boleia dada e tida, cumprimentos e afectos recebidos pelas paragens pela vila (vizinhas, os homens dos cafés, adultos em reconhecimento de competências, a juventude criativa da região), roseiras em flôr nas esquinas, fôfos de amores-perfeitos nos canteiros pós festança rija de abril, o rio continua a correr suave e luminoso.
27.04.08 - 00.57h: Confesso
Confesso que amei (nem que fosse por breves segundos) Todos os homens com quem estive nesta Vida. Mas temos sempre chapadas de luva branca (inspirado pelo rapaz do calendário)
I'm not gonna teach your boyfriend how to dance with you - Black Kids
A Todos os Fiéis de relações abertas!!!
I'm not gonna teach your boyfriend how to dance with you - Black Kids
A Todos os Fiéis de relações abertas!!!
26.04.08 - 23.48h: Get Down, Get Down
Caros Amigos,
Faz uma semana do querido jantar em que nos vimos e desde lá muitas peripécias foram sucedendo até à eminente gripe que agora me cerca. Terça foi o último dia: queria um trabalho, tive-o (só falta pagar) e nessa noite deu-se ainda o reencontro com os irmãos delgado. Foi para o trabalho de sociologia da vida quotidiana que este blog ganhou o impulso concretizador (e agora outro wwwend!) – isto de nos auto-analisarmos numa prespectiva de acontecimentos, rituais, pensamentos e sentimentos, procurando chegar à influência dos outros em nós, ou ao que em nós nos torna todos, tem muito que se lhe diga. A loli adorou e não podia parar (não fui ve-la quinta às oito da manhã mas ela também disse que não foi muito interessante). O bruno foi aguardado, fumado e devolvido com mais vontade às sua ocupações actuais. Muito bom!
Quarta entra-se na espiral nocturna: buscar bissa para pequena saída-aniversário com gente dos states; voltas para fumar e estacionar, jantar na adega do minho na bica, reencontrar jesus à porta da brasileira, duarte nuno ao sul com adar e outro, conversa sobre judeus e televive e engenharia e futuro, cocktail de gente famosa com coentros, no cinco e esplanada em frente com aladan, clau e bé e francês e amigo (a energia dos egos pequeninos e a apatia consumada antes do regresso a berlim). A viagem para sul aos som das cassetes da emi: paragens, pressão dos pneus, beja como aldeia na busca da segurança social (em vidro, no lado oposto), odemira a rechear com celebrações, gémeas de surpresa, ténis no intervalo, vinho para a festa, ovos estrelados para combustível.
Até alte pela serra, ao lado da igreja, em obras, atendo à solicitação: lombo assado salgado, queimar todos os cartuchos, mini na fonte velha e regresso desmaiado com assombro pela revelação da infância. A esquecer! Percurso ventoso pelas rochas adjacentes, banho no vigário, ac/dc do meu nascimento, direcção quarteira com saudades da paulinha a prepararem despedida de solteiro do tigo, guis e zottis no aeroporto da capital e enviam-me para o trafal. Crusing com cozinheiro alemão para tarde felix. Toda a tarde nús no meio do campo até anoitecer. Jantar só no shoping, dormir no carro até ao regresso delas e pai e pina. Bombons italianos com recheio de licor, sofá e pequeno-almoço ao nascer do sol; perseguição amigável até casa, onde dormito de trombas. Tenho saudades vossas e também preciso de uma revolução.
Até já!

Extrañote vicki, oscar. Besos.
Faz uma semana do querido jantar em que nos vimos e desde lá muitas peripécias foram sucedendo até à eminente gripe que agora me cerca. Terça foi o último dia: queria um trabalho, tive-o (só falta pagar) e nessa noite deu-se ainda o reencontro com os irmãos delgado. Foi para o trabalho de sociologia da vida quotidiana que este blog ganhou o impulso concretizador (e agora outro wwwend!) – isto de nos auto-analisarmos numa prespectiva de acontecimentos, rituais, pensamentos e sentimentos, procurando chegar à influência dos outros em nós, ou ao que em nós nos torna todos, tem muito que se lhe diga. A loli adorou e não podia parar (não fui ve-la quinta às oito da manhã mas ela também disse que não foi muito interessante). O bruno foi aguardado, fumado e devolvido com mais vontade às sua ocupações actuais. Muito bom!
Quarta entra-se na espiral nocturna: buscar bissa para pequena saída-aniversário com gente dos states; voltas para fumar e estacionar, jantar na adega do minho na bica, reencontrar jesus à porta da brasileira, duarte nuno ao sul com adar e outro, conversa sobre judeus e televive e engenharia e futuro, cocktail de gente famosa com coentros, no cinco e esplanada em frente com aladan, clau e bé e francês e amigo (a energia dos egos pequeninos e a apatia consumada antes do regresso a berlim). A viagem para sul aos som das cassetes da emi: paragens, pressão dos pneus, beja como aldeia na busca da segurança social (em vidro, no lado oposto), odemira a rechear com celebrações, gémeas de surpresa, ténis no intervalo, vinho para a festa, ovos estrelados para combustível.
Até alte pela serra, ao lado da igreja, em obras, atendo à solicitação: lombo assado salgado, queimar todos os cartuchos, mini na fonte velha e regresso desmaiado com assombro pela revelação da infância. A esquecer! Percurso ventoso pelas rochas adjacentes, banho no vigário, ac/dc do meu nascimento, direcção quarteira com saudades da paulinha a prepararem despedida de solteiro do tigo, guis e zottis no aeroporto da capital e enviam-me para o trafal. Crusing com cozinheiro alemão para tarde felix. Toda a tarde nús no meio do campo até anoitecer. Jantar só no shoping, dormir no carro até ao regresso delas e pai e pina. Bombons italianos com recheio de licor, sofá e pequeno-almoço ao nascer do sol; perseguição amigável até casa, onde dormito de trombas. Tenho saudades vossas e também preciso de uma revolução.
Até já!

Extrañote vicki, oscar. Besos.
22.04.08 - 01.00h: À Terra, À Vida

Neste ponto minúsculo perdido no espaço, concentrado por fogo e dele formando rochas móveis que vão arrefecendo, coberto por gases que se movem sob a sua superfície e sobre ela se precipitam, abraçando estas camadas, fecundando-as num líquido puro e transparente, e onde milhões de células se juntam para formarem todos os organismos vivos que aí habitam, gira sobre sí próprio um grão de areia no universo de milhões de sóis. O seu valor é único para todos os imensamente ínfimos participantes que já tentam fugir dali pela criação de ainda mais artefactos que, se por um lado o permitem, por outro o levam à sua própria destruição. Mas sobre eles estão concentrados, girando sobre si próprios, neste mar de reproduções e extinções. de explosões de energia a buracos negros...
(pela efeméride deste dia, algumas considerações...)
Oda a La Vida
La noche entera
con una hacha
con una hacha
me ha golpeado el dolor,
pero el sueño
pasó lavando como un água oscura
piedras ensanguentadas.
Hoy de nuevo estoy vivo.
De nuevo
te levanto,
vida,
sobre mis hombros.
Oh vida, copa clara,
de pronto
te llenas
de agua sucia,
de vino muerto,
de agonía, de pérdidas,
de sobrecogedoras telarañas
y muchos creen
que ese color de infierno
guardarás para siempre.
No es cierto.
Pasa una noche lenta,
pasa un solo minuto
y todo cambia.
Se llena
de transparencia
la copa de la vida.
El trabajo espacioso
nos espera.
De un solo golpe nacen las palomas.
Se establece la luz sobre la tierra.
Vida, los pobres
poetas
te creyeron amarga,
no salieron contigo
de la cama
con el viento del mundo.
Recibieron los golpes
sin buscarte,
se barrenaron
un agujero negro
y fueron sumergiéndose
en el luto
de un pozo solitario.
No es verdad, vida,
eres
bella
como la que yo amo
y entre los senos tienes
olor a menta.
Vida,
eres
una máquina plena,
felicidad, sonido
de tormenta, ternura
de aceite delicado.
Vida,
eres como una viña:
atesoras la luz y la repartes
transformada en racimo.
El que de ti reniega
que espere
un minuto, una noche,
un año corto o largo,
que salga
de su soledad mentirosa,
que indague y luche, junte
sus manos a otras manos,
que no adopte ni halague
a la desdicha,
que la rechace, dándole
forma de muro,
como a la piedra los picapiedredros,
que corte la desdicha
y se haga con ella
pantalones.
La vida nos espera
a todos
los que amamos
el salvaje
olor a mar y menta
que tiene entre los senos.
Pablo Neruda - Odas Elementales 1954
20.04.08 - 22.53h: Why not now? (E fomos Felizes Juntos)
Ir de peito aberto, a tremer o coração no fundo dos bolsos, só porque são caras desconhecidas de formas já reveladas. Por isso simpatizamos (afinal já nos conhecíamos, só precisamos da fotografia do postal): e magros, gordos, altos, baixos, peludos, unfurry's, novos e velhos, homens e mulheres! Todos temos as nossas e mostrámo-las, mostrámo-nos! E contámos outros pormenores, e ouvimos o timbre de como nos saem as palavras, ao vivo (menos ou mais, rápido ou devagar - miudoso nervosinho!); pudémos abraçar-nos, vermos os corpos mexerem-se em tiques, posturas, ritmos diferentes. Todos. Olhos nos olhos!
E do caruso para o maria lisboa um pouco mais desinibidos (desencontro do pessoal) e fugi com o dingling (é bom o amor transformado em amizade!) para o fufex (brincadeira de alguém, sem ofensas pq adoro o freak maminhas!) e daí para o trumps até às sete da manhã onde tripei a dançar tudo com todos, o adar, a amber, o marcelo... café e pastel de nata para baixar o excesso de álcool, a manhã de chuva e sol translúcida, acordar para ver a casa nova do mano na outra margem, café na aldeia galega, regresso dormitante, queijo e vinho em monka's home nas tarefas domésticas, a sagrada fruta da salvação!
E do caruso para o maria lisboa um pouco mais desinibidos (desencontro do pessoal) e fugi com o dingling (é bom o amor transformado em amizade!) para o fufex (brincadeira de alguém, sem ofensas pq adoro o freak maminhas!) e daí para o trumps até às sete da manhã onde tripei a dançar tudo com todos, o adar, a amber, o marcelo... café e pastel de nata para baixar o excesso de álcool, a manhã de chuva e sol translúcida, acordar para ver a casa nova do mano na outra margem, café na aldeia galega, regresso dormitante, queijo e vinho em monka's home nas tarefas domésticas, a sagrada fruta da salvação!
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