01.05.08 - 04.15h: Dia da Mãe

O primeiro dia de maio é o dia da mãe. Sempre foi. Hoje cumpre 60, teve-me aos 30. Foi uma miúda da aldeia a brincar com as pedras, o pai pastor ausente e a mãe, serva e orfã, que só conheceu a vida de trabalho doméstico e teve de criar seis filhos entre a ceifa, o pão, a lenha, a azeitona, o azeite. Cresceu em tempos de fome mas continuou estudos (e a cheirar o escape da carreira) no colégio de mértola e no magistério em faro. Voltou para a terra, tirou a carta (a primeira mulher do concelho), virou professora, perdeu os longos cabelos em corte à garçone, calçou botas altas, casou com o padre. Exigente e carinhosa, extremos de fúria e uma calma apaziguadora tornam-na deliciosamente bela (até os prazeres no nome).

Um orgulho - apesar do meu quebrar de afecto neste seio, melhorado pelo tempo. Amo-a pelo que gerou, pela forma de educar (claro que também me chateia às vezes – eu já me chateio menos), pelo sacrifício e pelas dores que tem e que toma. Fuma (começou aos vinte como eu e agora queremos parar). É uma viúva serena, isolada no seu palácio cor-de-rosa (“para quê ainda mais casa?”), a pintar, a restaurar mobília (a dança das divisões!), a alimentar os gatos e cultivar uma horta, com o sempre fiel sansão. Amo-a e é das grandes certezas o seu infinito e profundo amor por mim. Muitos Parabéns, Mãe, neste teu dia. No verão ofereço-lhe um lenço fúschia (é assim?).



Ah, também o é do trabalhador, dos sindicatos e outras convenções sociais. Tive dias plenos de mulheres (pretty womans!) que são assim: fazem-se!

29.04.08 - 21.26h: Trio d'Odemira 57/67

Do mundo secreto de peter gabriel, aos duetos nocturnos do frank sinatra, as ilustrações musicais de pintura pelo júlio pereira, os rock-blues ultra-românticos de roy orbison – esta é a actual banda sonora a k7 dos últimos vai-vens. A grande descoberta foram os mariachis alentejanos que cruzaram cancioneiro popular, tradicional alentejano, os hits latinos dos sessenta, rancheras mexicanas (puta coincidência), fado. Estive ano e meio aqui até ao desemprego e pé partido e já depois de sair estas gravações com cinquenta anos vêm parar-me aos ouvidos. E recordo amor, infância no banco de trás com a mãe a cantar as modas da altura, charradas puras...

Aqui vão os títulos: guantanamera; história de um amor; cartas de amor; el reloj; vocês sabem lá; perfídia; alma, coração e vida; ti ana majora; rio mira; ribeira mota; lembra-te ó ana; abalei do alentejo; camiñito; ruega por nosotros; una aventura mas; novo fado da severa; quiereme mucho; ciao amor; malagueña; sol nas minhas mãos; és a minha canção; as minhas mãos nas tuas; beija-me em sakurambô; a praia.

O meu trio de odemira foi este triângulo da vida – as gémeas e eu! As refeições partilhadas (mais na casa do lado, a tratarem de mim), os relatórios diários entre a câmara e a fundação (mais esta última, éramos dois em avalanche), as guerras de poder eternas e a nossa exploração, sempre a fazê-las em paz, a preta nina e a branca frida, adormecer no sofá, conspirarmos os conspiradores, almoços na varanda, cafés nas esplanadas, os Amigos (carlo de aniversário recente, mini, ana, manel, zaida, isabel e quim e rebento). Três copos à espera de vinho.

Orientar sessões de sensibilização para prevenção de toxicodependências em colos e são teotónio – correram bem; viagens com boleia dada e tida, cumprimentos e afectos recebidos pelas paragens pela vila (vizinhas, os homens dos cafés, adultos em reconhecimento de competências, a juventude criativa da região), roseiras em flôr nas esquinas, fôfos de amores-perfeitos nos canteiros pós festança rija de abril, o rio continua a correr suave e luminoso.

27.04.08 - 00.57h: Confesso

Confesso que amei (nem que fosse por breves segundos) Todos os homens com quem estive nesta Vida. Mas temos sempre chapadas de luva branca (inspirado pelo rapaz do calendário)


I'm not gonna teach your boyfriend how to dance with you - Black Kids

A Todos os Fiéis de relações abertas!!!

26.04.08 - 23.48h: Get Down, Get Down

Caros Amigos,
Faz uma semana do querido jantar em que nos vimos e desde lá muitas peripécias foram sucedendo até à eminente gripe que agora me cerca. Terça foi o último dia: queria um trabalho, tive-o (só falta pagar) e nessa noite deu-se ainda o reencontro com os irmãos delgado. Foi para o trabalho de sociologia da vida quotidiana que este blog ganhou o impulso concretizador (e agora outro wwwend!) – isto de nos auto-analisarmos numa prespectiva de acontecimentos, rituais, pensamentos e sentimentos, procurando chegar à influência dos outros em nós, ou ao que em nós nos torna todos, tem muito que se lhe diga. A loli adorou e não podia parar (não fui ve-la quinta às oito da manhã mas ela também disse que não foi muito interessante). O bruno foi aguardado, fumado e devolvido com mais vontade às sua ocupações actuais. Muito bom!

Quarta entra-se na espiral nocturna: buscar bissa para pequena saída-aniversário com gente dos states; voltas para fumar e estacionar, jantar na adega do minho na bica, reencontrar jesus à porta da brasileira, duarte nuno ao sul com adar e outro, conversa sobre judeus e televive e engenharia e futuro, cocktail de gente famosa com coentros, no cinco e esplanada em frente com aladan, clau e bé e francês e amigo (a energia dos egos pequeninos e a apatia consumada antes do regresso a berlim). A viagem para sul aos som das cassetes da emi: paragens, pressão dos pneus, beja como aldeia na busca da segurança social (em vidro, no lado oposto), odemira a rechear com celebrações, gémeas de surpresa, ténis no intervalo, vinho para a festa, ovos estrelados para combustível.

Até alte pela serra, ao lado da igreja, em obras, atendo à solicitação: lombo assado salgado, queimar todos os cartuchos, mini na fonte velha e regresso desmaiado com assombro pela revelação da infância. A esquecer! Percurso ventoso pelas rochas adjacentes, banho no vigário, ac/dc do meu nascimento, direcção quarteira com saudades da paulinha a prepararem despedida de solteiro do tigo, guis e zottis no aeroporto da capital e enviam-me para o trafal. Crusing com cozinheiro alemão para tarde felix. Toda a tarde nús no meio do campo até anoitecer. Jantar só no shoping, dormir no carro até ao regresso delas e pai e pina. Bombons italianos com recheio de licor, sofá e pequeno-almoço ao nascer do sol; perseguição amigável até casa, onde dormito de trombas. Tenho saudades vossas e também preciso de uma revolução.
Até já!



Extrañote vicki, oscar. Besos.

22.04.08 - 01.00h: À Terra, À Vida


Neste ponto minúsculo perdido no espaço, concentrado por fogo e dele formando rochas móveis que vão arrefecendo, coberto por gases que se movem sob a sua superfície e sobre ela se precipitam, abraçando estas camadas, fecundando-as num líquido puro e transparente, e onde milhões de células se juntam para formarem todos os organismos vivos que aí habitam, gira sobre sí próprio um grão de areia no universo de milhões de sóis. O seu valor é único para todos os imensamente ínfimos participantes que já tentam fugir dali pela criação de ainda mais artefactos que, se por um lado o permitem, por outro o levam à sua própria destruição. Mas sobre eles estão concentrados, girando sobre si próprios, neste mar de reproduções e extinções. de explosões de energia a buracos negros...


(pela efeméride deste dia, algumas considerações...)


Oda a La Vida


La noche entera
con una hacha
me ha golpeado el dolor,
pero el sueño
pasó lavando como un água oscura
piedras ensanguentadas.
Hoy de nuevo estoy vivo.
De nuevo
te levanto,
vida,
sobre mis hombros.

Oh vida, copa clara,
de pronto
te llenas
de agua sucia,
de vino muerto,
de agonía, de pérdidas,
de sobrecogedoras telarañas
y muchos creen
que ese color de infierno
guardarás para siempre.

No es cierto.

Pasa una noche lenta,
pasa un solo minuto
y todo cambia.
Se llena
de transparencia
la copa de la vida.
El trabajo espacioso
nos espera.
De un solo golpe nacen las palomas.
Se establece la luz sobre la tierra.

Vida, los pobres
poetas
te creyeron amarga,
no salieron contigo
de la cama
con el viento del mundo.

Recibieron los golpes
sin buscarte,
se barrenaron
un agujero negro
y fueron sumergiéndose
en el luto
de un pozo solitario.

No es verdad, vida,
eres
bella
como la que yo amo
y entre los senos tienes
olor a menta.

Vida,
eres
una máquina plena,
felicidad, sonido
de tormenta, ternura
de aceite delicado.

Vida,
eres como una viña:
atesoras la luz y la repartes
transformada en racimo.

El que de ti reniega
que espere
un minuto, una noche,
un año corto o largo,
que salga
de su soledad mentirosa,
que indague y luche, junte
sus manos a otras manos,
que no adopte ni halague
a la desdicha,
que la rechace, dándole
forma de muro,
como a la piedra los picapiedredros,
que corte la desdicha
y se haga con ella
pantalones.
La vida nos espera
a todos
los que amamos
el salvaje
olor a mar y menta
que tiene entre los senos.

Pablo Neruda - Odas Elementales 1954

20.04.08 - 22.53h: Why not now? (E fomos Felizes Juntos)

Ir de peito aberto, a tremer o coração no fundo dos bolsos, só porque são caras desconhecidas de formas já reveladas. Por isso simpatizamos (afinal já nos conhecíamos, só precisamos da fotografia do postal): e magros, gordos, altos, baixos, peludos, unfurry's, novos e velhos, homens e mulheres! Todos temos as nossas e mostrámo-las, mostrámo-nos! E contámos outros pormenores, e ouvimos o timbre de como nos saem as palavras, ao vivo (menos ou mais, rápido ou devagar - miudoso nervosinho!); pudémos abraçar-nos, vermos os corpos mexerem-se em tiques, posturas, ritmos diferentes. Todos. Olhos nos olhos!

E do caruso para o maria lisboa um pouco mais desinibidos (desencontro do pessoal) e fugi com o dingling (é bom o amor transformado em amizade!) para o fufex (brincadeira de alguém, sem ofensas pq adoro o freak maminhas!) e daí para o trumps até às sete da manhã onde tripei a dançar tudo com todos, o adar, a amber, o marcelo... café e pastel de nata para baixar o excesso de álcool, a manhã de chuva e sol translúcida, acordar para ver a casa nova do mano na outra margem, café na aldeia galega, regresso dormitante, queijo e vinho em monka's home nas tarefas domésticas, a sagrada fruta da salvação!

Até Já

Fechado para Jantar / Balanço
Voltamos dentro de momentos...

19.04.08 - 15.34h: Ego Sincronicidade


Os planos furados são sempre os melhores. Supostamente eram os GNR com a banda da GNR e ficámos a jantar caril de legumes com a belisa na "nossa" casa. A necessidade de uma ordem criada pela nossa consciência - as palavras para que as entendamos como o filme desta tarde (bee season) - o mercado antes discográfico, agora musical, os irmãos "ovelhas negras", agora os mais sensatos a dar conselhos porque já criaram a sua independência de espírito porque as cabeçadas da vida lhe deram a sua prática, os amigos por essa mesma razão de afinidade.

Sempre a somar, quase em contagem decrescente na regie depois de algum bourbon de tenessee williams e beedees, levam-nos sob o temporal às rotundas de queluz (enquanto o inconsciente desliga, centrar o plan du jour, previver, passo a passo - técnica de concentração positiva, de mudança) - e as voltas de estômago depois de snooker com moldavos levam o libelinha mais cedo para a cama após vómito e a um passeio nocturno na aberta que se gerou (de propósito ou fui eu que a causei?) até à amadora.

Já agora: uma conta de net a quadruplicar leva-me a pensar a continuidade de tudo isto, o meu estilo de escrita e a discriminação deste extracto (a questionar).

Quero levar um pouco de mim, quero conhecer as vossas caras, quero-vos... muito!

17.04.08 - 13.42h: Get a HairCut and Get a Real Job

Estou no cabeleireiro da estação do oriente. Uma guitarra toca o cielito lindo e afins flamencos, e o rapaz de óculos, todo de preto, escova suavemente a cabeça de um senhor com mechas brancas. A cortar estive eu, bobines intermináveis e rasgar selos do IGAC, ensacar dossiers e à tarde, todos a carregar sacos para a recolha. Ontem um mail - actualizações de alguns anos, a mágoa das cidades distantes, o amor único.
Estas viagens de comboio matinais trazem-me de regresso a lisboa, ao verdadeiro sentido urbano que tive nove anos, esta lufa-lufa de multidões aos magotes, cuspidos à hora de ponta e ao almoço. O cimento, a chuva e a ausência de cor, o moderno, o estilo e o brilho, a velocidade e o bate-papo de circunstância em banais momentos de convívio.

Entar pelo lado dos homens e não das senhoras (como eu fiz!) e aguardar enquanto escrevo no bloco. A clau não sabe do bisnog, ele não atende (estou preocupado!), a mãe informa que chegou o aviso de recepção da câmara de loulé, a rita confirma os valores a pagar antes de sair da inde; à noite bissa e lols para um programa qualquer.
A destruição está quase a terminar e pedem-me para catalogar o novo (e curto) arquivo. Que necessidade têm os chefes de destratar subalternos? A afirmação de poder? Palhaços (sem ofensa para os próprios - hoje, a meio da manhã sobre a redução de custos). O problema é que até aqui se passa o mesmo: os tios campónios do rapaz aparecem par cumprimentar e ele tem de ouvir as bocas irónicas da gaja da caixa.
Enfim, a nossa animalidade e estupidez sai pela boca sem controlo.

Post Scriptum: No final do dia, leilão entre funcionários e mini-rave. Deram-me alguns singles e colectâneas, como este:


Hot Chip - Ready for the Floor

17.04.08 - 00.28 / 00.57h: Keep Moving On



Puxadinhos estes dias... E como à noite queremos estar com as "pissoas", chegamos tarde e cansados - a sala de 900m2 está quase evacuada e o espaço de 300m2 já está a funcionar. Lembrar que a doca dos olivais foi reabilitada há dez anos dá que pensar, ao admirar toda a arquitectura funcional a toda a volta, limitada no horizonte pela linha da ponte. Ontem jantar com monka, só nós, conversa de vida e dv'djaying no braço de prata (cohen, goldfrapp e bowie); boleia de libelinha com careless whispper aos berros no regresso. Hoje copo de espera no british do cais do sodré e jantar de birthday da minerva (de calças de ganga) com rebecca e zé gato, que gentilmente me levou a casa para dormirem juntos (ou não!).



É tão fácil morrer... ou deixar morrer... ou não conseguir viver (nunca) como se quer. É difícil vivermos só (só?) com o que temos, porque não valorizamos, não re-utilizamos, consumimos sem pensarmos, no que fazemos ou noutras funções a dar (ao que fazemos), noutras possibilidades, todas as possibilidades. Basta pensar nelas... ou querer... e sonhar... ("abra a sua mente - canal infinito"). Muitas famílias desconjunturadas onde a higiene mental se compara à física, onde os afectos morrem porque não foram aprendidos - desenvolvidos, tal como as formas de comunicação, reproduzem-se - e a intervenção muitas vezes não ajuda. O mundo estica e encolhe no modo como o sentimos, neste palpitar de situações que passam dentro e por nós.

Apanhei sol, apanhei chuva. Voltei a ver o bruno e espantei-me com o que descobri, todos quem descobri, depois de o conhecer. Afinal estamos todos aqui! E o sporting ganhou 5-3 ao benfica! (o que quer que isto signifique!)

14.04.08 - 00.01 / 00.14h: Ao Pai

Quarto filho de um proprietário de terrenos e gado de salvaterra do extremo; depois da primária vai para o seminário de alcains por oito anos. Segue para os quatro anos de teologia dentro do castelo de marvão. No último ano, um conflito com o professor de história (por uma visita de raparigas) leva-o para o algarve a mando do bispo de castelo branco e portalegre, futuro bispo do porto. Chega a faro onde entra como aluno, depois professor. É ordenado em dezembro e às quintas (que não há aulas) e domingos vai para a serra do caldeirão numa localidade chamada ameixial - Começou a paixão! Depois, pelo espírito missionário, fica encarregue do "herege" concelho de alcoutim. Sem condições, inicia um trabalho pioneiro: do renascimento religioso à criação do ensino para além do obrigatório (o actual 2º ciclo), que abre portas aos filhos de uma região pobre e analfabeta.


Continuação, dez anos depois, cinco do seu falecimento...


Escreveu ao papa para pedir a saída da igreja porque se tinha apaixonado pela filha da senhora que limpava a casa e tratava da roupa e queria casar; comprou a casa rosa para criar a sua escola no piso térreo onde leccionou até à reforma, cuidou da sogra na sua incapacidade como se da sua mãe se tratasse, continuou a ir à missa onde comungava pela sua própria mão e acolhia todos os sacerdotes que ali chegavam; corria e participava nos comícios pós-revolução como fazia antes com casamentos e baptizados por todas as comunidades onde passava, acrescentou ao prédio o espaço para uma cantina, realizava o transporte escolar com a sua mercedes e ia à vacaria buscar o leite para os meninos lancharem; deixou a sua biblioteca e registo fotográfico (a conservar) como prova da sua avidez de conhecimento para chegar a Deus - Amor.


(dele herdei uma covinha no queixo, o silêncio e a contemplação, a pacata impulsividade e sociabilidade, o gosto pelo cuidar das coisas, a tudo perdoar)

13.04.08 - 21.30h: Nada se Repete

Os últimos dois dias da semana foram passados como uma reencarnação de shiva com mãos de tesoura, cortando fitas magnéticas e cd's, a carregar e arrumar dossiers, economato de papelaria e águas ( a vicky ajuda nas mudanças da jania); material de promoções, caixotes, prateleiras e escadotes, sacos pretos de resíduos separados para a parque expo. Recusar jantar com monka por cansaço (mãos, pés, ombros, costas) mas sair com dingling e libelinha: trajecto do século, da rosa, dos mouros, da atalaia. Mahjong, mexe e purex. Gente.



Seguir cedo/tarde para sul. Classe no ouvir 106.2 e aulas diferentes de jarvis cocker (live bed show e dingling no ouvido e os ruis da minha vida). Vir jantar com fados - toya, ondina e flora - e a fina flor da vila e as minhas gémeas (desenvolvimentos administrativos e jurídicos sucedem-se). Frio na rua. Dormir na cama de ferro, café no sr. mário e na zambujeira, regresso a casa por almodôvar - os três elementos humanos da família reunem-se para celebrar aniversário do pai ausente, tratar de papéis urgentes, recarregar (algumas) baterias, lavar a roupa suja (ouvir o marcelo defender o programa da fernanda câncio sobre bairros clandestinos na rtp)... Viver...

10.04.08 - 00.49 / 01.21h: Alguém tem de Ceder

Registar-me no banco de emprego público para porto, porto de mós e loulé; enviar requerimentos para irmão imprimir (poderia ser uma lista de tarefas mas foi a noite aqui ontem). Vindo de manhã do centro de saúde da venda nova (sim, desta consegui outra carta mas uma falha eléctrica encravou o sistema administrativo - voltar lá cedo!) pensei na população idosa que ali estava e ia passando, e estando nos cafés e a andar devagar, e a não entender a ordem das filas e dos números (eu também não quando mudam os critérios e os balcões não são especificados) e doentes, e sozinhos... somos cada vez mais velhos e mais jovens até mais tarde, demais.


Passo o CNO gustave eiffel (deixar pessoalmente currículo) e quando vou comprar pão debatem-se os assaltos mais frequentes pelo bairro do bosque (e o taxi, e o meu carro, e a loja). A vicki liga a dar-me o novo número. Banho e almoço rápidos, pedir para tirar a carrinha do talho da esquina para conseguir sair e seguir para a ex-pó com reggae-dub do báltico, à moda de kusturica (i get all the girls, i get all the girls). Estacionar, enrolar e ligar à alma. Atravessar o seco passeio de ulisses - coffee break before start - no café di roma debaixo do acesso ao ocenário, com as torres do vasco da gama no horizonte cinzento.


O vento venta violento e incessante; os pinheiros revigoram polinizando-se à distância. As pessoas enquanto vão sozinhas, mexem nas teclas, nos botões... e falam sozinhas...


Um biscate nas mudanças da emi. Pagam-me para destruir um arquivo audiovisual e separar os recicláveis do material de registro. Espero. Fumo. No hall dos cartazes das estrelas ouve-se "Como se diz à consignação?", "À consignation!" respondem-lhe. Entra o camané, cumprimenta e passa para o interior de secretária e monitores e uma serena revolução. Encho vários sacos pretos para levar os resíduos (ah dona mila, o que me ensinou alfama!...) e vou buscar as meninas: a bissa em dia mau de auto-desconfiança e a pops de jantar, compras, rápido, dormir, amanhã, felizes em jazz-soul crooners.


- again.

09.04.08 - 02.08h: Federico y sus verdes años


Cipreses.
(Agua estancada).

Chopo.
(Agua cristalina).

Mimbre.
(Agua profunda).

Corazón.
(Agua de pupila).


Me miré en tus ojos
pensando en tu alma. Adelfa blanca.

Me miré en tus ojos
pensando en tu boca. Adelfa roja.

Me miré en tus ojos.
Pero estabas muerta! Adelfa negra.


El remanso del aire
bajo la rama del eco.

El remanso del agua
bajo fronda de luceros.

El remanso de tu boca
bajo espuma de besos.


Ya viene la noche.

Golpean rayos de luna
sobre el yunque de la tarde.


Ya viene la noche.


Un árbol grande se abriga
con palavras de cantares.


Ya viene la noche.


Si tu vinieras a verme
por los senderos del aire.


Ya viene la noche.


Me encontrarás llorando
bajo los álamos grandes.
Ay moren(o)!
bajo los álamos grandes.


Primeras Canciones 1922 - Antologia Poética por Ernesto Sábato / Ed. Losada Bs.As. 1998


08.04.07 - 17.08h: All in All is All we All are*

Visitas matinais, vislumbrar coincidências astrológicas e não só. Passar os olhos pelos jornais de ontem: médicos para o privado, musicoterapia pimba, julgamento de skinheads, tribunais electrónicos, realojamento cigano, os trabalhadores já com RSI, "autonomia sem limites" prá Madeira, o apagão da tocha olímpica, kososvo, a ponte, o LNEC e as contas do estado (todos nós). O único anuncio que me julgo competente para responder (enviado pela base de antigos alunos) só existe em oferta pelo IEFP - eu até ia para santa maria da feira receber aquela miséria... Não me quero aborrecer mais aqui .

Esta é para ti, DingLing (mas não em exclusivo!); também para todos os que por aqui passam, a tudo o que partilham, a vós!


Antony and The Johnsons - Fistfull of Love (Live)

*All Apologies - Nirvana

07.04.08 - 18.24h: TurboJunkies

Café pela porcalhota, circular pela base aérea de monsanto em sábado nublado... ver a cidade envolta na bruma. Ai, amigo libelinha, a verdadeira companhia no vazio dos dias.

Ir e voltar à terra-mãe do sul para libertar o velho carocha do peso do tempo (precisa de exercício, umas voltas de "prego a fundo", embraiagem ao alto) com o primo tatuando em árabe o nome da prole. Domingo relâmpago imaginando super máquinas de construção e gruas em erecção. Ligar belas a rio de mouro (venda seca, grajal, tala) entre quintas centenárias e subúrbios invasores - rinchoa como marraquexe, quem não queria...


Trocar lençóis, mudar disposição dos aglomerados de livros e roupa, seguir a santos para caldo verde e subir para uma noite calma antes do temporal da realidade, em lua nova. Pelas paredes iluminadas, destilando cereais fermentados, trocamos palavras, sentidos e emoções... Fado fechado em portas largas, corrida nocturna e, finalmente, obtenção de prazer (amor a Javi e Carlos de barcelona - há ir e voltar!) no conhecimento, nas recordações, na dança limitada do espaço, ciclos completos de tempo. Abraço, libelinha.

05.04.08 - 16.27h: Diesel Friends

Adoro folgas! E os Amigos!



Quinta e sexta foi a inocente celebração da amenidade. Cool. Café no final da tarde com trânsito, calor e compras: calções e conversa de roupa, noobai e adamastor a transbordar, salada, sumo e bolo de cenoura (e a vista de santa catarina ao final da tarde), pequeno circuito de malas e mais roupa.


Encontro para almoço antes do fim de semana, derreter ao sol entre a braamcamp e a castilho, espetadas de lulas e gambas, conversa de pais e mães trocadas pelas vontades corpóreas e as excepções dos estereótipos - relógios biológicos - bela vista de fato de banho dourado, o mar interior universal pronto para brincadeiras, join'ts to this relaxamento total.


A outra ponte que caminha sobre as águas (um regresso maior) e se infiltra na cidade, experimentar sapatos, malas, boinas e t-shirts, carregar caixotes para a bolsa, pizza e massa junto ao rio, dome, copos e música e copos e música.




Foi um imenso percurso pessoal em dois dias, ir e voltar, ir e voltar, a abrir, consumimo-nos e abastecemo-nos, rápido pois o prazer é na imediatez do tempo. Hoje um pouco desgastado, carregado... As nuvens vêm aí...

03.04.08 - 17.12h: Arcanos Maiores*

Dias no quarto, dormitando, viagens virtuais... não livros mas arcádias literário-visuais. Perder-me sempre foi um bom objectivo, dispersar-me... muito. O calor entra na corrente fresca entre o meu quarto e a sala/cozinha, bem como a luminosidade crescente para o solstício.

Fui às noites bartô ouvir a voz das ONG's; neste caso a ILGA portugal. Fui um dos únicos! Ok, pode ser falta de divulgação - reciclar abril pode ser difícil. Mas a noite estava óptima, consegui despachar as tarefas domésticas a tempo de pedir money emprestado à cunhada e Fui.



Tive os dirigentes da associação a falar para mim e a Teresa Ricou a falar dela e da sua casa. Dois livros infantis com lançamento mais mediático cá do que na espanha do autor ("De onde venho?" e "por quem me apaixonarei?" - questões épicas,) e algumas considerações sobre o direito à verdadeira indiferença e não ao incómodo que heteros sentem ao falar de homos (como aprendi: igualdade, não tolerância!). Documentação variada e relatório de actividades.

E o que falta é visibilidade, são os coming-outs mas o medo impera (até eu penso se me quero ver nas marchas, nas reportagens). Hoje continuo o percurso pelo site, pelas notícias internacionais e vou descobrindo as diferenças inter-nacionais - uma assunção no círculo íntimo é diferente da social; penso que se não nos verem, não nos sentem, não nos ouvem. Mesmo sabendo que não nos compreendem neste heterocentrismo instituído. Sobre a família, temos a oprah durante a tarde a falar de parentalidades homossexuais...
(Ah, acho que vou participar na marcha global pela marijuana, concordo em absoluto; e já agora voluntariar-me neste associativismo gay... a ver - faz um mês que por aqui ando)

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Lançamentos de Tarot:

"V" para Trabalho
1º Imperador (passado), 2º Imperatriz (presente), 3º Diabo (futuro), 4º - centro - Lua (resposta), 5º Julgamento (ambiente), 6º Ermita (obstáculo), 7º Casa de Deus (solução)

Cruz para Amor
Esquerda (eu) Mundo, Direita (outro) Ermita, Cima (ideia) Temperança, Baixo (quebra) Casa de Deus, Centro (escolha) Amoroso.

* "A verdade não deve revelar-se" segundo os místicos; enigma; também o remédio, uma operação misteriosa dos alquimistas.

02.04.08 - 11.16h: Somos Bichos Estranhos (mas tão Simples)

E eis que somos arrastados do marasmo pelo amigo libelinha (tcharan! avatares irrompem!) que insistiu e, como não reconhecia o número, não atendi; ele insistiu, buscou o meu prédio, não se lembrava da porta mas gritou por mim (às 23h numa rua de função redidencial em forma de ferradura) e seguimos no meu carro. Bairro por instinto! E voltei a fazer um percurso por bares não frequentados desde a loucura estudantil (mais de uma década de intervalo) - cerveja nos snookers do paulo, catacumbas cá fora, pontapés na cona com tequilla no arroz doce, jola e shot de vodka, pimenta e chocolate no mexe, e primas: falamos da natureza da bissexualidade (tenho uma amiga que tem um discurso já preparado neste sentido), o meu helicópterozinho quer conhecer as saunas, sublimamos as pulsões nos matraquilhos e com a revelação da sandra, vamos comer um chouriço assado ao clandestino (um sentimento de revival sobe por mim como a escrita por aquelas paredes).


Estrella Morente - Volver (tal como um filme...)

Há uma hora atrás, para buscar credencial para fernando fonseca:
"A minha médica só vem segunda. Faleceu-lhe o pai. Isto é karma ou quê?"
"Até lá curte... Vai à praia! Beijo."

01.04.08 - 18.06 / 18.48h: Cravos e Ferraduras

Wandering around until now...


Através de um blog israelita, fui lendo sobre a segurança da vida dos homossexuais do lado de lá da mancha e nos parques de amesterdão. A estes é lhes dada a liberdade de continuarem os comuns encontros, segundo regulamentação aprovada para o Park's Rose Garden, sem recriminações (desde que não conflituem com a ordem pública) ao ar livre, como tanta gente gosta - os direitos de exibicionistas e voyeurs admitidos. Só à noite e, obviamente, deitando os preservativos usados no lixo mas garantindo uma maior vigilância para evitar a violência nestas cruising areas (em português será o quê? Zona de engate parece-me bem) - um propósito: aumentar a tolerância, pois se todos sabem que acontece...

O The Guardian publica uma sondagem feita na sociedade britânica, onde confirma a crescente homofobia: nota-se no aumento do bullying escolar (esta vai entrando no vocabulário, e tem que se lhe diga...) por discriminação - e daqui até ao topo da vida social, sentida até à vida política, por todas as instituições públicas. Mas sublinhando as diferenças entre interior (Gales) e litoral (sudeste), desde a escola, passando pelos hospitais e outros organismos, todos se gabam do que fizeram pela igualdade, acham-na muito útil para se auto-promoverem (e procedentes governos), mas a sociedade (assim no anonimato podem esconder-se melhor) vai mostrando o que ainda não aceitou e, como sabemos, minorias são as primeiras a não se conseguirem misturar nas massas homogéneas revoltadas (epá, esta das homogéneas é um brilhante paradoxo, não acham?).

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